segunda-feira, 3 de abril de 2017

Seus Olhos

Quando estou a olhar a cor dos seus olhos bem de perto 
Eu me perco no infinito do seu olhar 
Me encontro para me perder 
E tudo que sei 
É que estou no lugar certo

Carta ao Suicídio

Olá 
Se você que esta lendo este texto agora 
Já pensou 
Pensa 
Ou sequer considera  
Dar um fim a sua vida 

Peço que pare e leia com atenção 
Eu não lhe conheço 
E você muito provavelmente não me conhece 
Sou apenas um simples escritor 
Traduzindo devaneios em poesia 

Mas assim como você já passei por essa mesma ideia 
Mais de uma vez 
Muito mais 
Mais do que gostaria ou poderia contar 

Mas creio que aprendi algumas coisas 
Das quais quero contigo compartilhar 

Primeiramente 
Você está certo 
Sim a vida é esquisita e provavelmente sem sentido 
O mundo sequer ajuda também 
Feio 
Cruel 
Onde apenas os fortes sobrevivem 

E se eu estou a escrever isso e você a ler 
Significa que nós não somos os fortes 
Somos os rejeitados pela sociedade 
Pela família 
Pelo amor 

Mas ainda assim cá estamos 
Eu a escrever e você a ler 

Aprendi também que não há uma formula magica para sair disso 
Alguns são salvos pela religião 
Outros por amigos 
Ou ate mesmo desconhecidos 

Mas muitos esquecem da força que tem dentro  si mesmos 
Acreditando que a depressão levou toda ela consigo 
Mas se você ainda esta aqui 
Se ainda esta lendo isso 
É porque algo em você ainda quer viver 
Algo lhe impediu de já ter feito 
E não é a falta de coragem 
É o desejo de viver! 

Ora, pense então 
Naquilo que o manteve ate agora 
Um amor 
Um sonho 
Uma promessa 
O que for 
Viva isso! 

Seja alguém que venha para o mundo 
O veja 
E o vença 

Somos aquilo que fazemos de nossas vidas 
E as memorias que deixamos para os que ainda estão aqui 
Eis o sentido para se viver 

Não se permita morrer 
Antes de cumprir tudo que queira 
De viver seus amores 
De aproveitar todas as amizades 
Realizar todos os sonhos  
Cumprir todas as promessas 

Não se permita ser mais um 
Que apenas veio, viu, e se perdeu 

sábado, 2 de maio de 2015

Ninguém




Que tolo fui eu
Ao pensar que
Havia algo para mim
Neste mundo

Esqueci-me de meu lugar
E por isso sofri

Me esqueci
De que eu sou
Apenas mais um na multidão

Apenas mais um
Entre todas as pessoas
Que acordam todos os dias
Que dormem todas as noites

Sem
Qualquer
Diferença
Sem qualquer distinção

Eu...
Eu não nasci para me destacar
Deve ser isso
O destino

Ser
Só
Mais
 Um

Afinal
Eu não nasci com nada que chamasse a atenção
Que atraísse qualquer interesse
De qualquer tipo

Meus talentos?
Ultrapassados
Antiquados para o mundo de hoje

Meus pensamentos?
Considerados de um louco

Também não tenho nenhuma posse
Não dei sorte
De nascer em berço esplêndido

Tudo que sou
Apenas mais um na multidão

Mas que para além da multidão

Eu posso sentir
Ver
Cheirar
Tocar
Sentimentos alheios

Mas sem nunca
Tê-los para mim

Condenado a ser
Apenas um observador
Quieto
Passivo

Eis minha sina
Aguardar no meio da multidão
Sabendo que não irei encontrar ninguém

Estar para além dela
Mas não poder fazer nada

Não poder fazer nada
Que mude seu destino

Quanto mais eu tento fugir disso
Mais eu sofro

Talvez
Tudo que eu tenha que fazer
É aceitar
Que não sou ninguém