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segunda-feira, 26 de março de 2018

Remédios

Estou sozinho 
Alta madrugada 
Não tenho com quem falar 
Só eu 
E eu mesmo 
É a solidão em seu estado puro 

Olho para minha mão 
As pílulas que estão nela 
A muito tempo eu as tomo 
Toda noite 

Elas suprimem o que eu sinto 
Me deixam cada vez sentindo menos 
Cada vez mais morno 
Sem pirar 
Ou me alegrar 

Eu olho para elas agora 
Elas são a minha fuga 
Aquilo que me tira a dor 

Mas será que eu devo tomar elas hoje? 
Nesse momento em que eu quero sentir a dor 
Em que eu mereço sentir a dor? 

Eu olho para elas 
E me sinto mal 
Elas são a fuga de um fraco 
Que não suporta o peso das próprias ações 

Eu não as tomarei hoje 
Mas se eu não tomar 
Será que ainda haverá um amanhã?  

terça-feira, 4 de abril de 2017

Será que te verei novamente?

Sera que eu te verei novamente? 
Já me esqueci de quando foi a última vez que nos encontramos 

Ainda revejo nossa ultima conversa 
Cada palavra 
Cada frase sua 
Milhares de interpretações passam pela minha cabeça para cada uma delas 
Meu coração não consegue entender o seu "adeus" 

Tento entender o porquê 
Porque se afastou dessa forma 
O que aconteceu conosco? 
Que curva errada fizemos nessa estrada? 
O que aconteceu com o para sempre? 

Será que você lembra de mim como eu lembro de você? 
Ou eu já fui completamente superado e esquecido? 
Gosto de pensar que sim  
Que ainda estou em algum lugar de seu coração 
Mesmo que eu esteja mentindo para mim mesmo 

Os dias passam 
As noites passam 
E eu continuo aqui 
Continuo esperando você 
Uma ligação 
Uma mensagem 
Qualquer sinal 

Gosto de lembrar do nosso tempo juntos 
Em como tudo era bom 
Em como o amor poderia ser poderoso 
Ainda rezo para que eu acorde amanhã  
De volta aquele tempo 
E que tudo isso 
Não tenha passado de um longo pesadelo 

Pensando bem 
Talvez aquela época seja o tempo dos sonhos 
E uma hora ou outra 
Eu teria de acordar 

Um Ser de Trevas

O peso do fardo que o passado acumula 
As vezes pode ser tão grande 
Que mesmo quando você larga esse fardo 
Ele ainda age em você  

Por muito tempo fugi da escuridão 
Mas elas sempre sabiam onde me encontrar 
Achando que esse era meu destino 
Que minha sina era ser envolto por ela 
Eu desisti de correr 

Deixei que ela me envolvesse 
Entrando no mais íntimo 
Me tornando uno com ela 

Passei a viver na caverna 
Sem ver a luz do sol 
Sentado em meu trono de lagrimas petrificadas 
Apenas esperando o meu fim 

Mas acabei saindo da caverna 
Tentando novamente viver 
Nesse mundo de luz 

E mesmo que eu tenha enfim alcançado a luz 
E as trevas não venham mais atrás de mim 
De certa forma ainda não me abandonaram 
Tanto tempo no escuro 
Tornou meu intimo negro 

As vozes me abandonaram  
Mas eu mesmo me tornei uma 
Me tornei o próprio mal 
Do qual tanto fugia 

E agora 
Como irei conseguir 
Fugir de mim mesmo?