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segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Rosa Branca

Hoje eu vi uma rosa
Diferente de outras
Sua cor era branca ao invés de vermelha
Seu aspecto era seco
Como se estivesse morta
Morta mas ao mesmo tempo de pé
Como se recusasse cair
Só por ter perdido sua cor
Sua vivacidade
Sua beleza
Me identifico com a rosa
Ainda estou vivo
Mas para quem sabe olhar
Não há mais cor em minha vida
Não me lembro quando
Comecei a morrer por dentro
Só sei que cada dia que passa
Mais um pedaço de mim se vai
Ainda assim me mantenho de pé
Uns diriam que é obra do orgulho
Uns da minha força de vontade
Entre várias outras possibilidades
Mas talvez
Eu só não tenha
Morrido o suficiente
Ainda...

terça-feira, 4 de abril de 2017

Um Ser de Trevas

O peso do fardo que o passado acumula 
As vezes pode ser tão grande 
Que mesmo quando você larga esse fardo 
Ele ainda age em você  

Por muito tempo fugi da escuridão 
Mas elas sempre sabiam onde me encontrar 
Achando que esse era meu destino 
Que minha sina era ser envolto por ela 
Eu desisti de correr 

Deixei que ela me envolvesse 
Entrando no mais íntimo 
Me tornando uno com ela 

Passei a viver na caverna 
Sem ver a luz do sol 
Sentado em meu trono de lagrimas petrificadas 
Apenas esperando o meu fim 

Mas acabei saindo da caverna 
Tentando novamente viver 
Nesse mundo de luz 

E mesmo que eu tenha enfim alcançado a luz 
E as trevas não venham mais atrás de mim 
De certa forma ainda não me abandonaram 
Tanto tempo no escuro 
Tornou meu intimo negro 

As vozes me abandonaram  
Mas eu mesmo me tornei uma 
Me tornei o próprio mal 
Do qual tanto fugia 

E agora 
Como irei conseguir 
Fugir de mim mesmo? 

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Armadura

Uma vida 
Dezenas de decepções 
Centenas de erros 
A eternidade em serviço 

Por mais que tentem me derrubar 
Eu não caio 
Não me dobro 
Estou sempre em pé no meu posto 

Quem vê o cavaleiro de armadura brilhante 
Não imagina o que há por detrás 
Quem ele realmente é 

A pele dura como armadura 
A mente como um escudo 
Minhas palavras 
Armas 
Ainda assim sou humano 

Ainda que não haja um único arranhão em minha armadura 
Ainda que nenhuma flecha transpasse meu escudo 
Ainda que minhas armas não tenham perdido seu fio 
Eu sinto 

O que poderia sentir o cavaleiro? 
O que atravessaria sem deixar marcas 
Arma, escudo e armadura? 

Dor 
É só o que eu sinto 
Dor 

Eu deveria ser o exemplo 
Aquele que nunca cai 
Que não se dobra 
Que não sente 

Para que todos aqueles que me vissem 
Se inspirassem 
E seguissem meu caminho 

Por mais que eu tenha aguentado tempo 
Tão bem que ninguem perceba 
Eu não sei até onde posso manter isso 

Ate quando eu poderei suportar  
Ser aquele que eu devo ser 
Ao invés de ser quem eu sou