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segunda-feira, 4 de março de 2013

Mentiras


Olho-me no espelho
Enquanto me preparo para o dia que virá
O reflexo do olhar vazio
Não me assusta

Todas as decisões
Todas as direções
Foram tomadas por mim
Que mesmo sendo avisado
Persisti

Agora me preparo para mais um dia
Preparo-me para usar novamente
Minhas mascaras de personalidades
Minha maquiagem para esconder as cicatrizes do passado
O sorriso falso que tanto uso

Não há mais como voltar
Não há retorno
Nessa via única
Que me leva ao meu fim

Continuo então com os artifícios
Pois não aguentaria
Mostrar meu próprio rosto a meus amigos
Não aguentaria
Vê-los perceber o que me tornei
Que “eu”
Na verdade nem sequer existo

Uma sombra
Um caco estilhaçado
Vivendo uma vida de mentiras e ilusões
Como um ultimo ato
De decência da minha parte
De não os entristecer

sábado, 17 de novembro de 2012

Medo da Morte


Um dia a muito tempo atrás
Perguntaram-me:
“Qual seu maior medo?”
E eu lhe respondi
“Meu maior medo é morrer e não ser lembrado por ninguém”

Eram tempos negros
Tempos de solidão
Porem hoje
Não posso mais dizer que este é meu maior medo

Nesse caminho percorrido por mim
Desde aquele dia
Encontrei pessoas especiais
Pessoas que me acompanham até hoje

E apenas por gostar de minha companhia
E de quem eu sou

Sei que se eu morrer hoje
Seja da forma que for
Haverá pessoas a lembrar de mim
De quem eu era
Como era
E quando marquei suas vidas

E só isso já me consola
Tira-me todo medo da morte
E do que vier depois dela
Isso não mais me interessa

Não quero nenhum paraíso
Nenhuma vida eterna
Nenhuma outra encarnação
Não quero nada disto

Tudo que eu quero
É apenas
Ser lembrado como eu fui como pessoa
Amigo
E familiar
Pelas pessoas com quem me  importo
E que realmente gostam de mim

Só isso e nada mais
Só manter a lembrança de minha existência viva
Já me basta

terça-feira, 6 de novembro de 2012

O sorriso do Palhaço


Agora que te vejo
Com outros olhos
Percebo sua tensão
Sua tristeza por me ver assim

Caído, derrotado
Nem mesmo a sombra
Do que outrora havia sido

Dói-me ver isto
Dói-me mais que todas as torturas por que passei
Que todas as feridas que sofri
Dói-me ver
Você chorando por mim

Chorando por um alguém
Que nem ao menos
É digno de sua presença
Quanto mais de sua piedade

O que posso fazer para fazer isto parar?
Não quero te fazer sofrer
De sofrimento já bastam os meus

Só o que consigo pensar
Infelizmente
É fingir

Fingir que esta tudo bem
Que estou feliz como estou
E que não estou tão perto da morte
Quanto pareço estar

O falso sorriso do palhaço
Não é por mal
Esconder as cicatrizes
Produzir um sorriso
E atuar como se estivesse feliz

Esse é meu fardo
O que escolhi carregar
Para que não houvesse outra lagrima em seu rosto
Não por minha causa